E logo no título nota-se quanta pretensão existiu no meu passado. Onde já se viu alguém achar que não se terá dúvidas? Isso é ter certeza de absolutamente tudo. E quem tem certeza de tudo nesta vida? Taí mais uma dúvida.
Passei dos trinta anos com tantos questionamentos, algumas certezas e com pouco entusiasmo perto do que eu esperava, digo de uma maneira geral falando de relações "entre pessoas", ou seja, de relacionamentos.
Sempre fui sonhadora (e blá blá blá)... quando eu era criança brincava de casinha e esperava o marido imaginário chegar, falava sozinha, preparava a comidinha - também imaginária - e segurava a boneca "meu bebe" no colo com cuidado de mãe, eu trocava a roupinha (na época o nome dela era Rafaella e não Betina) e colocava pra mamar de brincadeirinha no meu peito por cima da roupa! Fiz tudo isso, como todas as meninas da década de 80. Eu dizia pras minhas primas e amigas assim: "Quero casar com 20 anos, ter filho aos 21, e viver feliz pra sempre". Nas minhas contas já era pra eu ter de baixo de minha responsabilidade uma criança de 10 anos! Não! Não daria certo, não me sinto preparada ainda.
Eu estudei, fiz minhas faculdades, adquiri uma profissão e isso estava nos planos também, não da maneira que fui conduzindo as coisas até os dias de hoje, o foco antes era a família, hoje o foco sou eu!
Bom, segui outros caminhos por vontade de Deus em primeiro lugar e depois vontade própria, não achei o príncipe encantado - ainda! Ao contrário, eu tive tantos sapos, sapões maldoso, feios, venenosos, letais! Nenhum se transformou, eles se foram, e cada um levou um pouquinho do meu brilho. Eu fiquei descrente, assustada, apagada e com medo.
Mas não tô aqui pra falar da minha solidão, ou independência, como costumo chamar pra justificar a falta de opção de uma cabeça seletiva por conta, única e exclusivamente, da vida. Quando que a gente sabe que é hora de se envolver? Eu não vejo mais a hora certa, não sinto que chegou a hora. Parece que não existe relógio para o amor, essa é minha conclusão.
Eu tenho encontrado pessoas tão complicadas, reflexo das minhas escolhas, eu sei. São homens que não se entregam, que mentem, que atuam, homens que trazem passados pesados no presente, não se permitem, são homens que são meninos, que tem medo de fazer companhia. Hoje eu entendo o que é "ter preguiça", termo que usamos quando conhecemos alguém novo, eu sinto isso toda vez que conheço um cara diferente, eu não aguento está carga densa e desconfortável. Todos querem a mesma coisa, e mais uma vez: quanta superficialidade!
Claro que não dá pra generalizar, mas é isso que tem acontecido comigo e com a maioria das minhas amigas, no mesmo instante que se conhece uma pessoa, por mais que dê frio na barriga, a gente já sabe que não vai ser "a pessoa", não vai rolar, abre-se a embalagem e o conteúdo, que não é ruim, tem data de validade muito curta, e de repente ele vence, lamentavelmente é perecível.
Esperar uma mensagem, uma curtida de foto, um comentário. É doloroso tudo isso, (tudo que é nada... sim, o tudo que é nada! Afff!) A gente hoje se contenta com muito pouco e nem isso as pessoas tem pra dar. A geração "tinder" é apelativa e cruel, empolga-se com cardápios virtuais para sexo. Por incrível que pareça, não escrevo isto pra ninguém especificamente, escrevo pro universo mesmo! É meu momento de desabafo, protesto contra o fim do contato e do olhar que estão acabando e assim o que tem sobrado são os "nãos", tudo é não! Nada pode, nunca dá, jamais quer, é isso que se nota. Ninguém se encaixa mais com ninguém fora da cama.
Estava conversando com uma amiga em uma madrugada dessas de "DR" pessoal, e ela falou uma coisa certa: "quando é a pessoa certa, não tem cordas, é sem nó, a gente não se amarra fazendo jogo de não chamar, não ir atrás, de esperar a pessoa procurar no whatsapp, responde-la depois de alguns minutos, quando é a pessoa certa a gente fala o tempo todo de maneira natural, o tempo passa e nem percebemos olhando para o celular com um riso bobo involuntário nos lábios".
Realmente, eu não nasci em uma competição, quero andar ao lado do meu parceiro, quero que ele me incentive. Busco reciprocidade e naturalidade. Eu procuro quando eu quero, eu respondo sempre porque tenho educação, muitas vezes parece até que estou dando trela, mas não! É pura educação, porque quando eu quero, EU QUERO! Eu esmurro um faqueiro inteiro com as pontas pra cima, eu me jogo, caio de peito aberto, até me cansar, não tenho medo do sangue, e aí uma lâmpada se apaga. Dói, eu choro, eu odeio perder o que nem consegui conquistar, me sinto incapaz, mas passa e eu não desisto. Essa intensidade minha me atrapalha, me desequilibra. Por isso que toda vez que eu vou fervendo, eu volto gelada.
Há um tempo eu conheci uma pessoa, ele não tinha nada pra me oferecer, que bom, porque mesmo assim ele tinha tudo. Sua essência simples, humildade e outros adjetivos que só cabiam a ele. Mas a pessoa que eu descrevi agora foi eu mesma que criei, idealizei este ser humano em mim, nem sei quem é ele, não conheci nestes dois anos. Quando me perguntam porque não ficamos juntos, da boca pra fora justifico sempre que não deu certo por causa do tempo, distância, diferenças. SÓ QUE NÃO!! Meu coração sabe que não há tempo longo demais, nem distância tão enorme que atrapalhe a pré disposição de duas pessoas que se gostam de ficarem juntas, o que atrapalha é o "querer" ser diferente, um quer se envolver, casar e ter filhos... O outro quer sexo, carinho e exclusividade por momentos e sem rótulo de compromisso.
Hoje eu aceito tudo isso e entendo porque sei que a vida é assim, como o tal trem cheio de passageiros que sobem e descem em cada estação. Acontece que tem subido gente inquieta demais neste vagão, pessoas que nem sentam direito ao meu lado e já descem, e quando senta e quer ficar ocupa um espaço enorme e me sufoca, incomoda porque vem com bagagem demais ... ah, não quero isso, eu quero viver, quero ter histórias, quero ter momentos com alguém que me queira mas que me respeite porque eu sou complicada.
Acredito que as pessoas se conheçam cada vez menos e enjoe muito mais rápido de tanta superficialidade, um do outro, tudo isso por causa do jogo que somos obrigados a fazer. Os tanto recursos tecnológicos pra facilitar estes relacionamentos, acabam nos tornando distantes uns dos outros e quando nos damos conta, não sabemos mais nem o que queremos.
Hoje, sozinha, se eu tiver que me apagar com alguns sapos por aí, tudo bem, inconscientemente eu, assim como a menina dos anos 80 que brincava de casinha, procuro um príncipe sim! O importante é que na arte do encontro com tantos desencontros que é a vida, vez ou outra sobem ao trem e se sentam do nosso lado, mesmo que rapidinho, sapos bonzinho que podem ser transformados e que chegam com responsabilidades pequenas, passam nem que seja para pelo menos acertar o relógio da cozinha e proporcionar algumas risadas.
