sexta-feira, 17 de janeiro de 2014

Falando de mim e falando da falta de você, e um pouco de você

 
 
Uma conclusão da minha vida nos últimos meses, o começo dos últimos meses foram suportáveis, mas o fim... o fim foi literalmente o fim!
 
Não tenho passado por dias felizes, nem estou em um dos momentos mais fáceis da minha vida e o meu reflexo é me isolar, ficar quieta no cantinho com algumas aparições para respirar (o necessário pra não sufocar). Ainda não cheguei ao extremo de ficar presa no quarto só mexendo no celular, ainda tolero saídas tranquilas com as minhas amigas, aquelas que são irmãs.
 
Só as muito próximas me entendem e sabem o que estou de fato passando, minha mãe me entende. Chegar aos 30 anos com o mínimo de vontade de continuar não é o que eu tinha planejado pra mim, ficar do trabalho pra casa e da casa pro trabalho, agora com passadas diárias na academia e no centro é o máximo que o meu corpo tem pedido ultimamente, e já é muito. Preguiça demais de socializar, ter de me entrosar, rir pra manter a regra de sempre ser simpática, disfarçar a vontade incessante de ir embora sem destino final, apenas ir. 
 
Ando sem ânimo até para redes sociais, só queria deitar, fechar os olhos, relaxar  e esperar o mar ficar mais calmo. Infelizmente não tenho como me permitir isso, seria me dar o luxo de pausar a vida, seria muito bom na verdade. Mas tudo bem. Toda esta evolução tão inferior e primitiva é parte de um processo muito interno, que eu nem estaria escrevendo esse texto se não fosse você no meio do caminho.
 
Sim, você! Já falei demais de mim e agora vou falar de você, você que tira meu sono, me rouba os pensamentos como se eu já não tivesse o domínio de minha própria cabeça. Você que não é pedra, então foge imediatamente do perfil que eu costumo encontrar, não tem ausência de caráter, não tem nada que me faça te achar qualquer coisa que não seja INCRÍVEL! Você que eu já nem sei mais se sabe que eu existo, saber deve saber, mas não se importa.  Você faz com que eu queira me isolar a dois e faz com que eu pense que as coisas nem andam tão ruins assim.
 
Ai os meus sonhos, e como eu sonho, como eu preciso de uma maneira de bloquear os flashes da sua mão esquecida na minha coxa ou as lembranças em câmera lenta da sua risada gostosa e seu sotaque arrastado, suas gírias simplórias e sua forma de gostar tão nobremente infantil e lúdica. Sinceramente ter tanta saudades de algo tão recém nascido que praticamente já morreu me assusta, e esse praticamente morto é como um tipo de aborto, algo que se foi sem querer e prematuramente.
 
Tantas vezes ouço sirenes soando e vejo uma faixa amarela em volta, (alerta! perigo! atenção!)  sem saber se esta faixa anuncia salvação ou perdição. E na realidade eu não quero saber, de verdade, eu tenho medo. Sei que como estou falando de você posso dizer que este misto de coisas é bom e isso me basta. Não é assim? Tô quietinha, sem complicar, sem esperar rótulos (coisa que tanto fiz e hoje só espero chances), sem me desesperar calculando o fim (mas me desesperando calculando a saudades), um fim tão obvio para as pessoas que chega a ser nada, e é engraçado que nada envolvendo você é óbvio pra mim. 
 
Já que involuntariamente voltei a falar de mim, para terminar a conclusão de tudo que se refere a você hoje, é que todo e qualquer alarme é sufocado, abafado pelos suspiros de paz a cada mensagem que imagino, as mensagens que tanto sinto falta, simplesmente as mensagens! Ah, e eu aceito a condição do risco, por todos esses sorrisos impossíveis que você arrancava de mim. Sorrisos do meu coração.