sábado, 3 de julho de 2010

Um porre pelo Brasil


Tem certas datas que nem vale a pena serem guardadas na memória, mas eu não sei apagar o que não me faz bem e sou obrigada a conviver com todos os fatos da vida até o tempo ir apagando, amarelando o papel.

Hoje lembrei na morte meu cachorrinho, o Bob, e da tristeza que tomou conta da família no dia primeiro de maio deste ano. Eu estava feliz viajando para Piracicaba, perto de amigos e longe de sofrimentos, julgamentos ou preconceitos. Mas senti que algo estava errado pela voz da minha mãe por telefone, cheguei e soube que meu pai atropelou o Bob sem querer. O padre diz que saudade sim, mas tristeza jamais. E é nisso que me apego, na força e no amor de Jesus, porque eu preciso me preparar para a morte de pessoas que eu amo, é a lei natural da vida, a única certeza.

Outra coisa que eu gostaria de esquecer é que fui traída pelo Billo, não desejo me esquecer do namoro em si, mas da atitude do ex namorado. O amor já havia virado desconforto para os dois, mas a traição me faz mal até hoje porque me traumatizou. Não esqueço o que senti quando descobri toda a verdade há exatamente 2 anos (sim, dia 02 de julho de 2008 soube da gravidez da atual esposa do Billo e do real motivo da separação). Por isso me tornei fria (isso é mau) e ao mesmo tempo segura (isso é bom), não me entrego para pessoas que não são capazes de me fazer sorrir e termino qualquer relacionamento com rapidez se ele for me machucar.

Mas a princípio o fato não é morte e muito menos desilusão amorosa, o fato é o Brasil. Meu país, minha nação, minha seleção! Eu amo este país e talvez por isso nem planeje deixa-lo como a maioria dos jovens da minha idade fazem, quero sair do Brasil sim, mas para passar férias com data marcada de ida e de volta, sou completa aonde nasci e cresci, é aqui que quero constituir minha família e ser feliz para sempre, até ficar bem velhinha. Posso parecer sonhadora, Alice, mas é verdade, é de coração.

Estamos em 2010, eu estou com 26 anos e meio, tenho tudo o que pedi a Deus, um emprego maravilhoso, conforto, não sei o que é passar necessidade, não faço idéia do que é sofrer por doenças graves, tenho uma família completa, amorosa e presente que dá a vida por mim, tenho amigos que são jóias raras e me proporcionam muitos momentos de riso, tenho alegria e bondade no coração.

Eu vejo a tristeza na televisão e isso me faz sentir muito. Sinto a dor daqueles que não tem alimento e convivem com a fome, ouço o som do choro do abandono e do abandonado de quem não tem família, vejo o descaso social exposto a cada ação, tenho noção dos entorpecentes que arrancam brutalmente filhos de suas mães que nada podem fazer, eu sei da solidão de quem não tem amor. Dói na teoria, meu Deus, como será na pratica?

Em ano de copa do mundo resolvi que comemoraria cada gol do Brasil como se fosse um ponto contra todos os fatores que entristecem os meus compatriotas, preferi esquecer as lágrimas que derrubei por amores não correspondidos, não quis lembrar das palavras duras e sem pensar que já falei e que fizeram pessoas queridas chorarem, decidi esquecer os meus erros e os erros que me trouxeram tanta dor. Pão e circo? Talvez. Gosto mesmo de me divertir. O futebol e a música causam isto. Nós brasileiros sempre nos demos muito bem no futebol e temos excelentes artistas brilhando mundo a dentro. Temos muitos motivos para comemorar, sorrir, cantar, amar e ... Por que não beber?

Até mesmo o Corinthians que está meio apagado ultimamente em ano de centenário do clube, tem me arrancado lágrimas, sejam elas de alegria ou tristeza, e isso não tem nada a ver com o meu jeito intenso de viver tudo o que faço. Ontem sim, ontem teve tudo a ver.

Estava com pessoas queridas, duas amigas irmãs que são “pau pra toda obra”, a Ana Cris e a Yo, além de outras pessoas especiais e importantes para mim. O Brasil estava em campo pelas quartas de final do mundial da África do Sul, era sexta-feira, 02 de julho, aniversário de 27 anos de casamento dos meus pais fofinhos, eu estava no Jockey Clube de São Paulo, e foi de lá, rodeada de homens e mulheres bonitos que presenciei a derrota inesperada do meu país para a Holanda. Foi triste, doeu, machucou, eu tinha certeza que antes dos trinta anos comemoraria mais um título da seleção verde e amarelo, infelizmente não deu e eu afoguei a mágoa literalmente. Bebi sem pensar em nada e nem em ninguém, muito menos em mim. Ah esse meu jeito impulsivo ainda vai me prejudicar.

Eu sempre sou muito comportada e apesar de não parecer, sou tímida, sou educada, expansiva e trato todos com carinho. Me divertindo dentro do limite do que é certo, sem fazer besteiras ou nada de errado que me cause arrependimentos. Na área VIP do evento comecei a beber e não me recordo com que bebida comecei, deve ter sido com cerveja, eu não gosto de cerveja mas bebi um copo, depois wisky, vodka com energético e refrigerante, tomei o que tinha lá e de repente eu estava eu exageradamente alegre sem sentir meus lábios, que sensação péssima. Como num passe de mágica eu esqueci que estava chateada e que não era uma pessoa boa o suficiente para quem eu gostaria de ser. Que estranho, anestesiei o que me causava melancolia, e vi que o jogo não era o motivo exato.

Agora lembrei que ontem, durante o porre pelo Brasil, esqueci que sempre me apaixono por quem não me merece, por pessoas que não precisam do meu coração, eu também deletei da memória que dediquei tempo demais para quem nunca se importou e jamais se preocupou. Eu sofro por não corresponder, eu me martirizo por não amar quando não amo, gostaria de ser menos complicada, adoraria de ver o Brasil campeão este ano sim, mas muito mais eu queria ter um amor no coração e sem medo de tudo acabar.

Quero tanto viver tudo o que há para eu viver. Gostei de me divertir e chorar ao som de coisas esotéricas. Bebi e fiz tudo isso pensando em alguém que estava lá, tão perto do meu corpo e ao mesmo tempo distante do meu coração. Enfim...Mais uma vez entrei em campo e comecei a jogar mas estou quase desistindo e saindo antes do segundo tempo por medo da derrota .

Vamos Brasil, sóbria e rumo ao Hexa em casa!